Pois bem... Semana passada terminou a temporada de “AGORA, AQUELE SORRISO”, o espetáculo que fiz com uma turma de formandos da CAL. Essa semana, eu estou totalmente envolvido pela produção de um novo espetáculo: “DEPOIS DO COMEÇO DO MUNDO” é o seu título.
O primeiro foi um espetáculo de aprendizes e sem mestre. Isto é, procurei me sentir um novato para criar com iniciantes um espetáculo inédito para o palco carioca. Agora, no segundo espetáculo volto a trabalhar com artistas que já tem uma carreira, uma estrada percorrida, e busco o mesmo frescor.
Criando “AGORA, AQUELE”, me lembrei de que quando vi que o palco seria meu meio de transporte para descobrir mundos logo entendi que deveria fazer o meu teatro, que uma das delícias do teatro é que cada um faz o seu. E, que não importa ser o melhor, o mais sensível, o mais comercial, o mais vanguarda e sim, interessa fazer o seu.
Pré-produzindo “DEPOIS DO COMEÇO”, outra vez me esqueço de que sou um velho lobo do mar, que já surfei ondas gigantescas para descobrir a minha maneira de conceber a cena, de organizar o palco, de criar e interpretar personagens e, principalmente, de resistir ao canto das sereias.
Tanto no “AGORA” quanto no “DEPOIS”, procuro aceitar a vida como ela é, trabalho para me sentir semelhante ao marujo que não amarela quando o barco está no meio do oceano, em plena tempestade, e nem sinal de terra à vista. E, principalmente, me esforço para fazer do instante teatral algo que se deseja a volta imediata, como se a vida fosse o espetáculo que se quer fazer e assistir inúmeras vezes.
Além disso, entre um espetáculo e outro, eu gosto de pensar que faço parte de um teatro que tem no seu elenco Fernanda Montenegro, José Celso Martinez Corrêa, Nelson Rodrigues, Hélio Eichbauer, Maria Clara Machado... Meu esforço é para um dia ser digno de me sentar aos pés de Rubens Corrêa e Ivan de Albuquerque e ouvir dos dois garotões de Ipanema: “Está fazendo bonito, heim, Vaz Pe...”. |