O semestre anda correndo solto
e o clima no Núcleo de Teatro e TV para Adolescentes e Crianças
da CAL anda bem animado.
Todas as turmas do Núcleo já escolheram os temas de
suas montagens. Completado o período inicial dos cursos,
quando vivenciamos jogos de integração, exercícios
de criatividade e improvisações de cenas, mergulhamos
agora numa nova fase: cair de cabeça numa história,
revirando-a de todos os jeitos, para dela extrairmos sua melhor
expressão no palco.
É a hora de brincarmos com os personagens, fazendo rodízios,
observando os diversos olhares para um mesmo papel. A definição
do elenco é momento sensível e algumas lágrimas,
às vezes, rolam (de alegria e tristeza...). Mas superar as
pequenas frustrações, descobrindo que o outro personagem
também é bacana, faz parte desse processo de amadurecimento
artístico e pessoal que nossos alunos experimentam.
Dando continuidade ao trabalho desenvolvido no semestre passado,
quando dançaram e cantaram ao reproduzirem teatralmente clássicas
cenas do cinema, a turma de Marina Henriques escolheu Tribobó
City. Neste delicioso musical, Maria Clara Machado brinca com os
signos do faroeste: mistura índios, mexicanos, bandidos,
mocinho, pistoleiras, prefeito mentiroso, dançarinas de cabaré
e rica herdeira, numa trama alegre e divertida, onde discute as
falcatruas dos poderosos e o bem vence, no final.
Minhas turmas também optaram por comédias: querem
fazer rir (ainda estão descobrindo o trabalhão que
há por trás do bom humor!). São duas obras
da melhor qualidade: Geração Trianon, de Anamaria
Nunes, reproduzindo o universo das antigas companhias brasileiras
de teatro (diz Mocinha, candidata a atriz ingênua: “Estou
adorando isto aqui!”) e O Inspetor Geral, de Nicolai Gogol,
comédia endiabrada passada na Rússia de 1836, mas
que, em tempos de dengue, escolas sucateadas, corrupção
e miséria por todos os lados, é ainda da mais terrível
atualidade.
Na turma de Andrea Bacellar, o processo de criação
de um espetáculo anda animado. Reunindo cenas de vários
autores e outras criadas pelo grupo, o espetáculo vai se
chamar O Anjo Exterminador: em todas as cenas alguém morre,
ou já morreu, ou vai morrer. O grupo optou por algumas cenas
clássicas, como a de Romeu e Julieta e a do Cangaceiro no
céu, do Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna.
As crianças estão adorando O Gato de Botas, na versão
de Maria Clara Machado. O texto mostra as artimanhas do esperto
personagem para tirar seu amo da pobreza. E dá pra gente
discutir: “e esse gato, está certo ou não está?”
Suzana Abranches, em seu TV em Curso, vem mostrando os segredos
de como interpretar para a televisão.
O semestre está passando rápido e logo, logo, junho
virá, com a emoção das estréias no palco
da CAL. Nossos alunos sonham também com outros espaços:
“não dá pra fazer na escola de alguém?”,
“não dá pra fazer na rua?”, “não
dá pra chamar os candidatos a prefeito do Rio pra virem ver
nossa peça? Eles iam ter muito em que pensar!”.
Idéias não faltam. E aí vem o mês de
julho, com os cursos de férias! Teatro é contagioso.
Quando a gente começa, vai trazendo os amigos e não
quer mais parar!
Até o próximo número da Revista!
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