Em Cartaz

Uma mãe de sucesso

Paulo Gustavo inicia nova temporada de montagem que vem conquistando público carioca

por Daniel Schenker Wajnberg


A comédia está mesmo em alta nos palcos do Rio. Depois das calorosas acolhidas do público a espetáculos como "Surto", "Desesperados", "Nós na fita" e "Os homens são de Marte... e é pra lá que eu vou", "Minha mãe é uma peça", texto escrito e interpretado pelo ator Paulo Gustavo, segue carreira de sucesso.

Desde a data da estréia, no dia 4 de maio, no horário nobre do Teatro Cândido Mendes, a montagem dirigida por João Fonseca é apresentada com lotação esgotada. Tanto que iniciará nova temporada, a partir da primeira semana de janeiro, no Teatro do Leblon - sala Fernanda Montenegro, onde deverá ficar até 1º de abril, com boas chances de prorrogação. Caso tudo dê certo, a peça só deverá desembarcar em São Paulo em 2008.

A personagem da mãe, encarnada por Paulo Gustavo, surgiu nas esquetes de "Surto". Convidado para integrar esporadicamente a trupe formada por Wendell Bendelack, Rodrigo Fagundes, Thais Lopes, Flavia Guedes e Samantha Schmutz, ele criou a personagem que divertiu, ao longo de 2006, os espectadores que passaram pela semi-arena do Cândido Mendes.

A principal inspiração de Paulo foi, claro, a própria mãe, com quem morou até os 19 anos. "Ela é a minha musa inspiradora, embora não seja tão exagerada quanto a personagem. E também aproveitei influências das minhas tias e da empregada", conta Paulo, que interpreta uma mulher que vive em função dos filhos e não conseguiu preencher a vida após o término do casamento. A discreta pontinha de melancolia que vem à tona em determinado momento do espetáculo não entra em choque com o humor irreverente de Paulo Gustavo, que visa à identificação da platéia.

Antes de se arriscar no vôo solo de "Minha mãe é uma peça", o ator se apresentou, no mesmo Teatro Cândido Mendes, em "Infraturas", ao lado de Fabio Porchat, que conheceu durante o curso profissionalizante da Casa das Artes de Laranjeiras (CAL) e participa em off no espetáculo. Mas no trabalho anterior cabia a Paulo interpretar as personagens circunstanciais escritas por Fabio, ao passo que agora o ator dá vida a uma figura que escreveu. "Nunca pensei em ser dramaturgo. Continuo não tendo esta pretensão, embora esteja começando a escrever uma peça nova", diz.

Talvez, no caso de Paulo, como no de muitos outros atores, escrever seja a solução encontrada para realizar os próprios projetos. "Cada um deve produzir, escrever, encomendar o seu espetáculo. Teste é uma piada", diz o ator que, após a ótima recepção de "Minha mãe é uma peça", passou a receber convites para atuar na televisão - gravou participações nos humorísticos "A diarista" e "Minha nada mole vida" - e deverá marcar presença no cinema - no novo longa-metragem de Jorge Fernando, "A guerra dos Rocha" - onde teve a breve experiência no curta "A noite do capitão".

Antes de enveredar pela carreira de ator, Paulo ingressou na faculdade de Turismo e passou um mês em Nova York, trabalhando num restaurante espanhol. Até que decidiu retomar o contato com o teatro, que havia experimentado num curso básico para atores na UFF, dirigido por Alice Carvalho. Foi quando deu uma guinada na vida. Para a sua felicidade. E a de muitos.

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