| A festa merecida e a despedida dolorosa marcam a nova edição da CAL Digital nesse primeiro semestre de 2012. A comemoração se deve à inauguração da Faculdade CAL, projeto acalentado há anos que, finalmente, se tornou realidade na bela casa da Rua Santo Amaro, na Glória. Fundada há exatos 30 anos, a CAL se torna um curso universitário sem perder de vista o nível técnico. Já o sofrimento se deve à partida de Sergio Britto, no final de 2011, artista fundamental na história da CAL ao longo das décadas. A importância de Sergio, claro, não se restringe ao seu vínculo inquebrantável com a escola. Ator e diretor, esteve à frente e/ou integrou algumas das principais companhias de teatro da segunda metade do século XX, além de ter capitaneado o projeto do Grande Teatro na TV Tupi, conforme lembra Hermes Frederico em artigo que evoca a trajetória de Sergio na televisão. Muitos outros artistas representativos marcam presença nessa edição da CAL Digital. Ariane Mnouchkine, diretora do Theatre du Soleil, companhia fundada nos anos 60 e sediada nos arredores de Paris, visitou recentemente o Rio de Janeiro para apresentar Os Náufragos da Louca Esperança, encenação em que prestava homenagem ao cinema mudo a partir de adaptação de obra de Julio Verne. Precursora do teatro musical no Brasil, Bibi Ferreira completa 90 anos com o show Bibi, no qual revisita marcos de sua carreira, como os espetáculos My Fair Lady, O Homem de la Mancha, Gota D’Água e Piaf. Considerado como o maior dramaturgo brasileiro, Nelson Rodrigues faria 100 anos, data comemorada com programação espalhada pelo ano. Há, além de Nelson, muitos centenários a serem lembrados – basta evocar Luiz Gonzaga, Gene Kelly, Jackson Pollock e Michelangelo Antonioni. Todos surgem reunidos na parte de Dicas, que também evoca Elis Regina, que morreu há 30 anos, e o Grupo Galpão, fundado há 30 anos. As Dicas se completam com a menção ao livro Teatro Russo – Literatura e Espetáculo, organizado por Arlete Cavaliere e Elena Vássina e centrado, principalmente, na contribuição de Constantin Stanislavski. O teatro russo também norteia o texto convidado, assinado pelo diretor e professor David Herman, que traz à tona a busca de Treplev, o conturbado personagem de A Gaivota, de Anton Tchekhov, por “novas formas de expressão”. E novas formas de expressão são exatamente o que alunos dos cursos jovens vêm encontrando, a exemplo dos depoimentos de Sidarta Senna e Marcela Viana.
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