| Considerado o maior “homem de teatro” do Brasil, Sergio Britto também foi de uma importância fundamental para a televisão brasileira. Já nos primórdios da televisão, no início dos anos 50, Sergio estreou como ator nos teleteatros da Tupi paulista dirigidos por Cassiano Gabus Mendes; meses depois, se revezava com Antunes Filho na direção do Teatro das Segundas-Feiras, na mesma Tupi, no qual também atuava. Dentre vários atores, teve como colegas algumas atrizes com quem faria par anos depois: Fernanda Montenegro,Nathalia Timberg, Cleyde Yáconis e Beatriz Segall. Mas foi em 1956 que Sergio idealizou, criou, produziu, dirigiu e atuou num divisor de águas na história da teledramaturgia brasileira: O Grande Teatro. Durante nove anos, nas TVs Tupi, Rio e Globo, O Grande Teatro apresentou cerca de 400 peças, uma por semana, com um vastíssimo repertório de grandes autores mundiais e nacionais. Sergio Britto – juntamente com atores do porte de Fernanda Montenegro, Nathalia Timberg e Ítalo Rossi – formava o quarteto protagonista. Todos criaram um vínculo definitivo com o público carioca. A qualidade artística do Grande Teatro possibilitou a esses atores uma espécie de formação artística do mais alto nível, uma experiência inigualável e jamais repetida, ao mesmo tempo em que permitia uma formação de plateia que assimilava esse requinte artístico. O Grande Teatro, popularmente conhecido como “o grande teatro do Sergio Britto”, revelou o talento do novelista Manoel Carlos, responsável pela adaptação de grande parte dos textos, bem como os de nomes conhecidos da televisão, como Irene Ravache, Cláudio Cavalcanti, Yoná Magalhães, Antônio Pitanga e Camilla Amado, que tiveram ali suas primeiras experiências em televisão. Os autores Oduvaldo Vianna Filho e Domingos Oliveira começaram a escrever também no Grande Teatro. Sergio era o diretor, revezando-se com Fernando Torres e Flávio Rangel. Em 1963, Sergio Britto deu outro presente para a televisão trazendo Nelson Rodrigues, o maior de nossos autores teatrais, para escrever, na TV Rio, quatro telenovelas: A Morta sem Espelho, Pouco Amor não é Amor, Sonho de Amor, protagonizadas por Fernanda Montenegro, e O Desconhecido, com Nathalia Timberg. Em 1965, na TV Paulista (hoje TV Globo de São Paulo), Sergio dirigiu as novelas Ilusões Perdidas e Paixão de Outono, ambas com Reginaldo Faria e Leila Diniz e a segunda marcando a estreia de Irene Ravache nas telenovelas. Logo após estreia como diretor de novelas na TV Globo com Um Rosto de Mulher, com Nathalia Timberg interpretando um triplo papel. Em 1967, Sergio transfere-se para São Paulo e é contratado pela TV Excelsior para dirigir o programa de Bibi Ferreira, que voltava à emissora, tendo o novelista Silvio de Abreu como assistente. Atuou nas novelas Legião dos Esquecidos e O Terceiro Pecado. Coincidentemente, nesse mesmo ano, suas duas “partners” mais frequentes, Nathalia Timberg e Fernanda Montenegro, também são contratadas pela emissora, que está numa fase de ouro com suas novelas, e trabalham sob a direção de Sergio em duas das melhores novelas da televisão brasileira: A Muralha, de Ivani Ribeiro, e Sangue do meu Sangue, de Vicente Sesso. Ambas as novelas são uma referência de qualidade e sucesso de audiência. Com o fechamento da Excelsior, Sergio volta para o Rio de Janeiro e dirige na TV Tupi do Rio a última novela de Glória Magadan no Brasil: E Nós aonde Vamos?, onde reencontra Leila Diniz e lança Eva Todor nas novelas. Sergio Britto passa alguns anos fora da televisão e retorna como ator em 1974, na TV Globo em Supermanoela, de Walther Negrão, com Marília Pêra. Fica na TV Globo até 1980, onde participa de Escalada, obra-prima de Lauro César Muniz, Anjo Mau, de Cassiano Gabus Mendes, Espelho Mágico, de Lauro Cesar Muniz, e Olhai os Lírios do Campo, adaptação de Geraldo Vietri para o romance de Érico Veríssimo. Nesse período também atua e dirige na emissora alguns teletetros para os programas Caso Especial e Aplauso. Em 1982 faz na emissora Paraíso, de Benedito Ruy Barbosa, ao lado de Thereza Rachel. A partir de 1986 é contratado pela TV Manchete, onde participa seguidamente das novelas da emissora: A Marquesa de Santos, Dona Beija, Kananga do Japão, Pantanal, Ana Raio e Zé Trovão e Xica da Silva. Sergio ainda participou da novela Vidas Cruzadas, na TV Record, com Laura Cardoso em 2001 e no especial da TV Globo, O Natal do Menino Imperador, dirigido por Denise Saraceni em 2008. Durante anos e até o seu falecimento Sergio comandou na TV Brasil o programa Arte com Sergio Britto, no qual brindava o público com o melhor do teatro, do cinema, da ópera, da música, da literatura e das artes plásticas. O programa era a tradução perfeita de seu conhecimento, de seu encantamento e de seu apetite em relação à arte. Sergio Britto possuiu a arte em seu corpo, em seu DNA e em sua alma. Bravo, Sergio Britto!
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