| A nova edição da CAL Digital prioriza artistas com consistentes trajetórias firmadas nos palcos brasileiros. O primeiro grande exemplo é Eva Todor, atriz húngara que começou a trabalhar cedo e fundou sua companhia em 1940, permanecendo no Teatro Serrador até 1963. Conhecida pelo gênero Eva, referente a personagens distraídas e maliciosamente ingênuas, a atriz foi produzida por seus dois maridos, Luís Iglezias e Paulo Nolding, e firmou carreira de sucesso no teatro e na televisão. Eva Todor trabalhou com Miguel Falabella na montagem de A Pequena Mártir de Cristo Rei. Falabella, normalmente lembrado por sua personalidade de comediante e pela habilidade em capitanear grandes espetáculos, projetou-se como encenador na década de 80 através de montagens como Lucia McCartney, Emily, A Filha de Lúcifer e A Bela do Alentejo. Recentemente, viabilizou um projeto antigo: A Escola do Escândalo, de Richard Brinsley Sheridan. Outra atriz com presença firme nos palcos é Camilla Amado, que integrou espetáculos de sucesso, como a versão de As Desgraças de uma Criança, de Martins Pena, apresentada na década de 70. Foi dirigida por Ziembinski numa nova montagem de Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues, também nos anos 70. Destacou-se em Troia, visita de Eduardo Wotzik ao universo da tragédia grega, e em Um Equilíbrio Delicado, de Edward Albee, com o mesmo diretor. Nos últimos tempos, retomou A Lição e A Cantora Careca, peças de Ionesco que já conhecia de montagens do final dos anos 50 e do início dos 80. No terreno da dança, Deborah Colker evoca a fase de sua carreira em que trabalhava diretamente com textos através de Tatyana, leitura personalizada do romance em versos de Alexandr Pushkin, Eugênio Oneguin, publicado no início da década de 1830. A CAL Digital não poderia deixar de mencionar um veterano que morreu nos últimos meses – o diretor José Renato, fundador do Teatro de Arena, na década de 50, companhia na qual defendeu o desenvolvimento de uma dramaturgia brasileira voltada para os representantes das classes sociais menos abastadas. José Renato faleceu no momento em que tinha retomado, depois de muitos anos e com sucesso, sua trajetória como ator na montagem de 12 Homens e uma Sentença, em encenação assinada por Eduardo Tolentino. Nas Dicas, a memória também impera. Sergio Fonta evoca a carreira de Rubens Corrêa em biografia (Um Salto para dentro da Luz) lançada pela Coleção Aplauso. Importantes mostras centradas nas filmografias de Alfred Hitchcock e Pedro Almodóvar tomaram conta do Rio. Uma exposição dedicada a Laurie Anderson também sensibilizou os visitantes. Ainda em destaque, a gravadora Joia Moderna e a versão de Gabriel Villela para Crônica da Casa Assassinada, adaptação do romance de Lucio Cardoso. |