| O Rio de Janeiro vem recebendo importantes mostras de cinema, como as dedicadas aos diretores Alfred Hitchcock (1899-1980) e Pedro Almodóvar. A primeira, centrada no mestre do suspense, reúne 54 longas-metragens, cinco curtas e 127 episódios de séries para televisão. Entre as atrações da mostra estão a exibição em película 35mm dos grandes clássicos de Hitchcock, uma sessão com narração e música ao vivo de O inquilino, raridades como os curtas Aventure malgache e Bon voyage, que Hitchcock fez para a França na Segunda Guerra Mundial, programa duplo com a versão inglesa e a raríssima versão alemã de Assassinato, que foi filmado simultaneamente em inglês e alemão, no mesmo set, trocando apenas os atores, e a inclusão de O homem que sabia demais, na versão original, de 1934, que Hitchcock fez na Inglaterra, e o remake americano de 1956, com Doris Day e James Stewart. Já a mostra dedicada a Pedro Almodóvar é composta por 40 longas-metragens (17 dirigidos por ele e 23 que produziu ou valeu-se como referência para sua obra) e a exposição Secretos sobre negro, com 22 fotografias feitas por Antonio Banderas, ator presente em filmes de Almodóvar, realizados nos anos 80. A mostra certamente proporcionará ao espectador perceber uma transição no trabalho do diretor espanhol, dos trabalhos ousados e irreverentes do início da carreira para a proclamação de uma maturidade a partir dos anos 90. A passagem pode ser detectada através da soberania dos tons pastéis em detrimento da estética kitsch da década de 80. |